domingo, 15 de abril de 2012

Mas som alto é um assunto tão pouco importante.

Ser vizinho de um local onde as pessoas se reúnem para curtir a noite como se fosse a última vez que fazem isso, torna-se algo insuportável. Mais do que insuportável, chega a causar problemas de saúde. Uma noite de sono ruim torna-se um dia de mau humor; o stress aparece por vários motivos: não saber se aquela noite será tranquila ou não, não saber se a Polícia chegará em 5 ou em 50 minutos, se após a Polícia sair o problema cessará ou voltará como antes, uma nova ligação para a Polícia e isso torna-se um círculo vicioso. Esse stress é tão grande, que começa a afetar a saúde. No ano passado, por exemplo, quando o problema estava mais grave, tivemos um dos moradores, com menos de 30 anos, que ficou vários dias com pressão alta. Afeta também o cotidiano da pessoa: uma moradora ia dormir às 18 horas, para que, quando o barulho começasse por volta de meia-noite, ela já tivesse garantidas algumas horas de sono, podendo assim, aguentar a noite em claro.

Essa lista pode ser imensa. Aqui está o exemplo de um caso isolado. Existem muitas outras pessoas que sofrem com a mesma situação e até mesmo há mais tempo. Isso leva a refletir o quanto esse problema é realmente irrisório, como um policial mencionou um dia, num dos contatos feitos com a viatura: "nós temos tantos casos de esfaqueamento, de arrombamento de lojas, assaltos, que quando ouvimos que é um caso de som alto, de problemas com vizinhos pensamos o quanto isso não é importante, perto das outras coisas que acontecem".

Essa é uma fala muito importante. Fica difícil contrariá-la. Mas quando você é a vítima da situação, ouvir isso faz com que a pessoa corra o risco de perder o controle! Sim, um esfaqueamento é algo muito sério. Mas causar um dano à saúde de outrem, de maneira lenta e progressiva, não é menos grave! Ser refém de uma situação como essa, onde a pessoa, após um dia cansativo de trabalho, é privada do silêncio necessário para repousar e se preparar para uma nova jornada; é algo tão sério quanto outra ocorrência.

Ao pensar sobre isso, surge outra dúvida: a perturbação causada por essas pessoas não pode ser considerada um problema de saúde pública? É provável que não existam estatísticas para isso, mas aqui em Araraquara são vários pontos de problema (postos de gasolina, estacionamentos, salões de festa sem o preparo para isolar o som, além das residências, em particular as repúblicas de estudantes, entre outros). Pegando cada um desses pontos de problema e multiplicando pelo número de pessoas atingidas, chega-se, provavelmente, a uma quantia considerável.

Quantas pessoas nessa cidade estão passando por esse mesmo problema? Quantas pessoas que acordam entre 6 e 7 horas para trabalhar e têm seu sono prejudicado até duas horas da madrugada? Quatro horas da madrugada? Como essa pessoa pode trabalhar no dia seguinte, tendo passado tanto nervoso durante a noite e ficado sem dormir? Esse trabalhador provavelmente não será capaz de oferecer o seu máximo em seu emprego e se for um emprego que exija atenção, isso é ainda se torna pior. Além do dano à saúde da pessoa, a sociedade também recebe esse dano se pensarmos que aqueles que trabalham não estão em condições plenas para isso.

Os problemas são muitos. As pessoas prejudicadas são muitas. Essa foi apenas uma pequena reflexão sobre algumas das consequências da falta de respeito de um grupo de pessoas. Existe muito mais do que isso e esse assunto precisa ser tratado com seriedade.

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